6.4.10

Preliminar

Quando a cabeça relaxa sobre os ombros, confia-se o melhor dos sentidos.
Palavras indizíveis são lidas pelo olhar. O silêncio é ingênuo.

O gesto comparativo faz das mãos maiores que as outras; suas linhas são lindas.

E o cotidiano é suspenso.

A tentativa é de igualar a respiração para compartilhar do mesmo ar,

para que cada segundo seja duplo.

O sangue pulsa nas veias; é cálido como a saliva que cerca a língua.
A esperança é para que o tesão suba às cabeças; nessa hora , já não há mais controle.

O calor seca o mal pensar, seca o desencontro na embriaguez dos corpos que dançam sem regras.

Estes só fazem um pedido:  gozemos agora do mais puro prazer de estarmos juntos. Sem máscaras, sem palavras.
Despidos de si mesmos ao encontro do outro.

daí que nascem os anjos...

4 comentários:

  1. "(...) para que cada segundo seja duplo" Bonito isso. A propósito parabens pelo filme, na mais nobre do que uma estréia em cannes...
    bjs,
    Pmaranhao

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  2. Quando o amor acaba
    ou fica o amor
    ou naõ fica nada.

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  3. Eu gosto do que você escreve não só pelo fato de ser bem escrito. Pra mim é mais que a escrita é a forma de se expressar. Por isso que eu gosto, eu gosto de ser surpreendido e você me surpreende.
    Beijo .

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  4. Queria que lesse um conto sobre anjos escrito por Primo Levi. Daria o que dizer a respeito do que disse, assim, aqui.

    Beijo.

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