23.3.10

O Jornalismo que faz me(er)dia

Há um mês atrás o jornal EXTRA divulgou um fato que já acontecia há anos como se fosse uma grande novidade : a travessia que traficantes fazem na Av. Dom Helder Câmara, divisa entre as comunidades de Manguinhos e Jacaré, com armas, e em cima de motos. Moro próximo do lugar, tenho que passar por ali quase todos os dias e posso garantir algumas coisas: Há uma delegacia - 21ª DP-  bem na av. dos Democráticos que desemboca na Av. Dom Helder Câmara e  deve ficar numa distância aproximada de 800 metros do local flagrado, então isso não é novidade para a polícia; ali , agora, virou ponto de Crack com muitos menores usando a droga, e nada falam sobre o assunto; tem ali do lado também uma UPA 24 horas que o governo do Estado criou e que não funciona direito, não há ambulâncias para transferências de pacientes, levei meu tio lá para ser atendido por causa de uma forte dor nas costas e a médica nem enconstou nele e receitou algumas injeções sem fazer exames, não há pediatria nem tampouco ortopedista, é uma fraude total -mas falarei disso em outro post em breve - Ali , há também as obras do PAC do governo Federal que já estão ajudando a comunidade em muito , mas não será o suficiente para um local com tantos anos abondonado pelo Estado, mas são bem vindas, nunca fora investido tanto em infra estrutura nessas comunidades , o que acontece é que essas obras estão prejudicadas por causa da inserção truculenta da polícia em Manguinhos principalmente depois da divulgação dessas imagens que fizeram os jornais venderem milhões.

Ao meu ver parece que a segurança pública foi atrás dessas pessoas por uma questão de orgulho, aliás isso foi uma a fronta ao poder militar, parece -me que agora a polícia tem que entregar essas cabeças à mídia, pois ela publicizou um fato que a elite não sabia.

Já me disseram muitas coisas a respeito, a última discussão que tive falaram assim: "Mas esse é o papel do jornalismo: denunciar e ajudar a sociedade"

Esse não é o papel do jornalismo nem aqui, nem na China.

O que vejo acontecer: Temos pouco acessos às decisões tomadas pelo Estado, poucos órgãos que divulgam essas ações, não temos o hábito de frequentar câmaras, mal sabemos os nomes de nossos representantes! E pensamos assim: A Tv senado é chata, não é? divertido é o sensacionalismo do Telejornal, a escrita tendenciosa , a ficção que se diz verdade, isso realmente é divertido e atraente, então sabemos de tudo que acontece através de alguém que nos diz que aquilo aconteceu, e esse "alguém" é sempre o mesmo, quer dizer que o cara nos fala TUDO, fala quem morreu , quem nasceu, quem roubou, quem matou, quais leis são as melhores, quais peças estão em cartaz etc.

Agora imagina se vc fosse falar de tudo isso em meia hora.Você faria um recorte? Claro, não é? Agora me diz outra coisa: Se você preferisse um filme a outro e tivesse que divulgar apenas um deles, você divulgaria o que você prefere, não é? É assim , mais ou menos que o jornalismo funciona, através de recortes que partem de um ponto de vista que se diz verdadeiro,  como você pode ter notado ele é totalmente "IMPARCIAL", né hehehe...

Não tem como falar de TUDO em meia hora, é muito vazio, isso é claro, daí se vê que o discurso não pode ser bom, não informa, apenas comunica o vazio...

Não aguento ver o Lula falando e ouvir o resumo da fala dele feita por um jornalista em OFF, isso é ridículo... Eles colocam a imagem do cara falando, mas é o texto jornalístico que me diz o que ele falou, além de ser ridículo é uma forma de ludbriar o expectador que chega a ser corvarde, a pessoa olha para a imagem ver o lula falando, ouve o resumo e pronto . Foi exatamanete aquilo que ele falou, afinal apareceu em vídeo.
  Quero ouvir da boca dele na íntegra e não ouvir de terceiros o que ele disse. Isso é o que mais me tira do sério... Não podemos ter preguiça de buscar informações. Não quero mais mediação entre mim e o governo, ele tinha que dá satisfações a mim e não a jornalistas.

Dei essses exemplos para explicitar o quanto é danoso que a mediação entre o Estado e a população seja feita pelos jornais, o quanto é danoso o Extra divulgar tais imagens dizendo que assim ajudou a população. Ajudou no que? A polícia invade, mata um monte de gente, prende outros, e o tráfico continua, as obras do PAC são adiadas, aliás ninguém vai trabalhar embaixo de tiroteio, daqui a pouco todo muito esquece, como já aconteceu e ficamos com alguns sensos comuns a respeito: o local é tomado por bandidos, nunca passe por ali, se não vc vai esbarrar com metralhadoras, não há ações positivas no local etc...

A relação entre nós e os governantes é tão mediada que chegamos a cobrar da mídia uma atitude, não vamos mais protestar, agora , smplesmente pegamos os telefones , não para ligar para o disque denúncia, mas para ligar para o RJTV, porque o importante é o que é visto, se não for visto é como se não existisse. E acima disso, o mais triste é que quando ligamos para o disque denúncia ou o 180 da mulher, não acontece nada, pois tmbm há uma "triagem" dos problemas a serem resolvidos, acho q eles pensam como uma emissora de TV: "Se prendermos o chefe tal que foi denunciado dará mais ibope se formos socorrer a Maria que está apanhando do Marido em casa". Feito! no dia seguinte o chefe é preso, toda a mídia cobre, a Maria morre e nada acontece. E continuamos no nosso teatro.

Enfim, essa denúncia do jornal Extra só me deixou mais claro que o jornalismo não sabe o seu lugar, que nós não sabemos ser Cidadãos e o Estado acha que deve atender a mídia, pois vive de aparências.

Gostaria de saber se essas denúncias realmente resolvem algo que não seja para o bem do próprio jornal. Se alguém souber de um caso , por favor, me fale.

Fiquei na dúvida se postaria essa foto ou não, mas coloquei para vcs terem idéia do que estou falando.

É muito sensacionalismo...Impressionante.

1 comentários:

  1. São por essas e por outras que eu perdi o tesão no jornalismo e porque a política sempre me pareceu inatingível. Mas ta aí um ponto de vista inteligente que merece sempre ser posto em causa.
    Continue limpando o seu telhado...

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